[Retornar]

Tumores do Pescoço
(massas cervicais)



Como devemos reconhecê-los e como interpretá-los ?

Quando uma pessoa está com um "caroço" no pescoço, deverá sempre se lembrar das duas grandes possibilidades: ser uma doença benigna (a grande maioria) ou maligna. Os nódulos cervicais ("caroços" ) podem ser divididos de uma forma didática em 4 tipos:

  • Normais

  • Congênitos

  • Inflamatórios

  • Tumorais


  • Normais:

  • O "caroço" normal é representado por nódulos linfáticos (conhecido em termos médicos como linfonodo e popularmente de gânglios ou "ínguas") que participam da defesa imunológica do indivíduo e apresentam-se com: superfície lisa, de forma elíptica e consistência elástica. Ele é móvel, indolor ou doloroso e obedecendo a uma certa simetria. Com estas características é comum o aparecimento em crianças à partir da 6.ª semana de vida, devido à presença de seborréia de couro cabeludo ou pequenos ferimentos de face Crianças com menos de 12 anos de idade apresentam "caroço" no pescoço, na região inguinal ou nas axilas com alta freqüência; não são considerados patológicos se não estiverem apresentando crescimento e a criança estiver em bom estado geral, sem febre ou emagrecimento. Aqueles localizados na nuca ou atrás da orelha quase nunca podem ser considerados como uma doença.

    Nas crianças acima de 12 anos, "caroço" atrás da orelha pode estar associado às viroses, comuns nesta faixa de idade, principalmente a rubéola, varicela e também, nas infecções bacterianas, tais como, escarlatina e impetigo.

  • Congênitos:

  • Os "caroços" no pescoço presentes desde o nascimento ou diagnosticados em crianças podem ser congênitos, isto é defeitos ocorridos durante a gestação. Os mais comuns são:

  • Cisto Dermóide:
  • estão situados na linha média do pescoço, podem conter pelos, são de crescimento lento, indolores e algumas vezes, podem apresentar sinais de inflamação. São tratados por cirurgia;

  • Cisto do Ducto Tireoglosso:
  • São restos embrionários relacionados à origem da glândula tireóide. Aparecem como nódulos na linha mediana anterior do pescoço, podem sofrer processo de distensão e de esvaziamento, com ou sem processo inflamatório.

    São móveis com a deglutição e às vezes acompanham os movimentos da língua para a frente. Após infecções de vias aéreas superiores pode haver obstrução do ducto tireoglosso persistente e pode causar a formação de cisto infectado. Pode apresentar orifício cutâneo por fistulização secundária, infecção ou drenagem cirúrgica, aonde pela compressão, saem gotículas de líquido esbranquiçado ou turvo. Necessitam ser tratados por cirurgia. (Figura 1).




    Cisto Branquial:

    São arredondados, lisos, elásticos, indolores e situados profundamente na área lateral do pescoço, podem aumentar de tamanho durante infecções de garganta, acompanhados de dor e ruptura para a pele, provocando uma fístula. Podem também, desde o nascimento, já se apresentarem como uma fístula que dá saída à pequena quantidade de líquido para a pele do pescoço. Necessitam ser tratados por cirurgia (Figuras 2 e 3).


    Hemangiomas:

    sendo usualmente notados no período neonatal como massa mole, cística, indolor de cor vinhosa, com ou sem pulsação. Representam tumores caracterizados por novelos de veias de calibre variável. Costumam regredir espontaneamente até o segundo ano de vida.

    Higroma Cístico:

    é um tumor benigno constituído de espaços linfáticos dilatados, cheios de fluído claro, ocorrendo mais em crianças, de características multiloculados, de consistência mole, situados geralmente no triângulo posterior da face lateral do pescoço e na região próxima à parte inferior da mandíbula.


  • Inflamatórios:

  • Os "caroços no pescoço" de origem inflamatória, muito embora representem a maioria dos casos, pois nada mais são do que a tradução clínica de uma doença geral ou localizada ou de uma manifestação normal do sistema imunológico. Para tanto podem ser didaticamente classificados em: não infecciosos e infecciosos e destes, em agudos e crônicos. A maior causa de linfonodopatia cervical inflamatória é do tipo não específica, onde temos como exemplo a faringite inespecífica, que apresenta linfonodo elíptico, doloroso, móvel, superfície lisa e de consistência de "borracha" endurecida.

    Das doenças infecçiosas agudas, a mononucleose infecciosa aguda causada pelo vírus Epstein-Barr (VEB). Podendo estar aumentado isoladamente ou conglomerados, mostrando-se sensíveis à palpação, de consistência fibroelástica, móveis, não-aderentes aos planos superficiais ou profundos não-supurativos.

    Das doenças inflamatórias infecciosas crônicas a linfonodite tuberculosa apresenta-se com abaulamentos isolados, ora de consistência fibroelástica, ora de consistência amolecida, por vezes exibindo sinais flogísticos que lembram uma linfonodite aguda supurativa. Numa fase posterior, não havendo drenagem de material caseoso (como queijo fundido), os linfonodos apresentam-se firmes, o que corresponde a um processo de fibrose e cicatrização.

    Das doenças infecçiosas agudas, a mononucleose infecciosa aguda causada pelo vírur Epstein-Barr (VEB). Podendo estar aumentado isoladamente ou conglomerados, mostrando-se sensíveis à palpação, de consistência fibroelástica, móveis, não-aderentes aos planos superficiais ou profundos não-supurativos. Das doenças inflamatórias infecciosas crônicas a linfonodite tuberculosa apresenta-se com abaulamentos isolados, ora de consistência fibroelástica, ora de consistência amolecida, por vezes exibindo sinais flogísticos que lembram uma linfonodite aguda supurativa. Numa fase posterior, não havendo drenagem de material caseoso (como queijo fundido), os linfonodos apresentam-se firmes, o que corresponde a um processo de fibrose e cicatrização.

    A infecção da Blastomicose leva ao aumentos dos nodos linfáticos localizado ou generalizado, geralmente seguido de comprometimento da pele e mucosas. Sua incidência é maior no sexo masculino, predominando na 2.ª e 3.ª década de vida. Os linfonodos podem ser dolorosos, com intensa reação inflamatória local com posterior supuração e drenagem pela pele. Quase sempre vem acompanhado de feridas em vários pontos da boca.

    doença da arranhadura do gato, apresentam linfonodos aumentados de volume, de aspecto nodular, aderentes aos planos profundos e à pele geralmente ipsilateral à lesão inicial no pescoço após 1 a 3 semanas. É uma doença benigna em geral ocorrendo em jovens com que possuem animais domésticos (cães ou gatos).


    A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), é uma doença viral, causada por um retrovírus. As manifestações em cabeça e pescoço traduzem-se por nódulos no pescoço de crescimento rápido, indolor, mobilidade presente, superfície lisa, de consistência "borrachóide" podendo apresentar-se dura, fixa e de superfície irregular, acompanhado de emagrecimento e queda do estado geral.


  • Tumorais:

  • Dentre os tumores benignos na região de cabeça e pescoço, devemos saber que qualquer tecido pode originar tumores benignos ou malignos.

    Os tumores benignos mais frequentes originados de glândulas salivares são:

    Adenoma Pleomórfico ou tumor misto: é um abaulamento visível na região parotídea (se for primitivo da glândula parótida, que é a mais acometida) ou da região submandibular (glândula submandibular) ou do céu da boca (pequena glândula salivar do palato), de crescimento lento, progressivo e indolor. Apresenta-se como. uma massa sólida de limites definidos, com uma superfície globosa, bocelada ou irregular (Figura 4).

    Tumor de Warthin: denominado cistoadenoma papilífero linfomatoso, quase que exclusivo da parótida, podendo apresentar-se bilateralmente. Apresenta-se como uma massa de consistência macia de limites definidos, indolor, móvel, com superfície irregular ou bocelado e de crescimento lento. A região da cabeça e pescoço é muito rica tecidos nervosos. Vários tipos de tumores nervosos podem se desenvolver. Neuroma Traumático: é caracterizado por um reforço regenerativo de uma fibra nervosa lesada após trauma, a fim de restabelecer a sua continuidade. A presença de tecido fibroso de cicatrização formado após o trauma, resulta num crescimento desordenado de suas fibras nervosas, com a formação de um verdadeiro "tumor", podendo ser sintomáticos, ocasionando alteração de sensibilidade e dor.

    Neurofibromas: São tumores nervosos que podem estar associados a alterações genéticas, geralmente são múltiplos e devemos pesquisar a presença de manchas na pele cor "café-com-leite", vitiligo, meningiomas, sindactilia, alterações ósseas e hemangiomas.

    O tecido gorduroso do pescoço também pode dar origem a tumores que, na grande maioria, é benigna. Lipomas: são tumores gordurosos benignos encontrados em qualquer localização do corpo, porém na região cervical, apresentam-se como massas de crescimento lento. Ao exame físico, apresentam-se como massas de limites precisos, móveis à manipulação, de consistência macia, podendo localizar-se superficial ou profundamente, de superfície lisa ou lobulada, única ou múltipla.


    A região do pescoço também é freqüente sede de lesões malignas

    Tumor maligno é um termo genérico usado com o mesmo significado da palavra câncer. Entretanto, nem todo câncer é igual e uns podem ser mais ou menos agressivos que outros. O tumor maligno mais freqüente na região da cabeça e do pescoço é denominado carcinoma epidermóide mas ainda que tenha o mesmo nome, sua gravidade vai depender de vários fatores e, o principal deles é a localização.

    Os tumores malignos do pescoço podem ser primitivos ou secundários (ou metastáticos). Os primitivos são aqueles que tiveram origem no próprio pescoço; os secundários são conseqüência de outros tumores malignos originários em outros órgãos e se disseminaram para o pescoço. Qualquer tecido existente no pescoço pode dar origem a tumores e o mais comum são os que se iniciam na mucosa que reveste a boca, a faringe e a laringe. Estes tumores são do tipo carcinoma epidermóide e tendem à disseminação para linfáticos do pescoço e se manifestam com caroços endurecidos e que não doem.

    Doença de Hodgkin: Tumor maligno primário do pescoço e é originário do tecido linfático. Apresenta como manifestação clínica mais importante, a presença de massa cervical, de crescimento lento, progressivo, indolor, acompanhado de febre moderada por algumas semanas e emagrecimento. Os linfonodos (ínguas) apresentam-se geralmente de forma assimétrica, contíguos e tendem a confluir, dando um aspecto semelhante a um "cacho-de-uvas". Apresentam-se de superfície lisa, limites na maioria das vezes definidos, indolor, mobilidade presente e de consistência firme-elástica .

    Linfoma não-Hodgkin: apresentam linfonodos com evolução mais rápida, de forma simétrica no pescoço, podendo acometer cadeias linfáticas não-contíguas. O comprometimento extranodal mais comum é o tecido linfático do pescoço, onde manifestam-se como lesões infiltrativas ou nodulares submucosas de coloração avermelhadas ou vinhosa. Apresentam-se disseminados em ambos os lados do pescoço, de consistência dura, fixos, indolores com infiltração para tecido celular subcutâneo e pele.


    As glândulas salivares podem também sediar tumores malignos

    O tratamento preferencial para todos eles é a cirurgia
  • Carcinoma Mucoepidermóide:
  • é um tumor maligno de maior freqüência em glândula parótida. Podem ser classificados como de alto, intermediário e baixo graus de malignidade de acordo com a agressividade do tumor.
  • Carcinoma Adenocístico:
  • também denominado de cilindroma, ocorre com freqüência nas glândulas salivares. Apresentam evolução lenta, com característica principal, a invasão de nervos, levando à alta freqüência de alterações sensitivas e comprometimento do nervo facial, quando a neoplasia tem origem na glândula parótida. Tendem a desenvolver metástases à distância, principalmente para os pulmões.

    A causa mais comum de massa cervical é o aumento da tireóide

    A glândula tireóide freqüentemente se apresenta aumentada de volume. Em geral são aumentos benignos mas a presença de tumor maligno não é rara. A doença benigna mais comum da tireóide é chamada bócio e pode provocar um aumento de volume acentuado da glândula e, assim, provocar compressão de outros órgãos do pescoço. São de crescimento lento, não doem e freqüentemente estão associados à carência crônica de iodo. Se houver suspeita de que o aumento da tireóide seja de natureza maligna o médico pode solicitar uma punção biopsia aspirativa com agulha fina. Através de uma seringa de injeção e um agulha fina o médico irá aspirar o conteúdo da parte suspeita da glândula e mandar este material para exame microscópico. O resultado não é definitivo mas se indicar a possibilidade se ser um tumor, seja benigno ou maligno, haverá necessidade de retirar a parte doente da glândula e levá-la para exame de laboratório de anatomia patológica.



  • Carcinoma Papilífero:
  • é o mais comum das neoplasias tireoidianas. Aparece em qualquer idade, sendo mais freqüentes nos pacientes de sexo feminino. Apresentam-se como nódulo único ou múltiplo na glândula, de consistência dura (pétrea), indolor, móvel, superfície lisa ou irregular, indolor e de limites definidos.
  • Carcinoma Folicular:
  • apresenta-se como um nódulo único ou múltiplo na glândula tireoidiana. Ao exame a lesão apresenta-se endurecida, com limites definidos, porém quando o tumor aumenta de volume, pode haver necrose central, evoluindo de tumoração de consistência endurecida para uma formação cística e às vezes amolecida.
  • Carcinoma Medular:
  • apresenta-se como um nódulo uni ou multinodular, de consistência dura, superfície lisa ou irregular, indolor, de pouca mobilidade. É preciso investigar a correlação familiar.